04 agosto 2017

Tic tac, tic tac

O relógio não para de contar o tempo, o sol continua a brilhar todos os dias. A amiga lua também brilha lá no alto, mesmo que as nuvens a tentem esconder, esta continua a brilhar, até mesmo no outro lado do planeta e também nos pólos. Estes astros estão sempre presentes, dando o ar da sua graça, mesmo timidamente.

Continuo com perseverança, dedicação a construir pedra a pedra a estrada da minha vida, com atalhos, a trancar caminhos e a abrir outros, de maneira que caiam sobre mim inúmeras pétalas de rosas vermelhas, amarelas e sobretudo brancas para abençoar esta estrada à medida que vou pisando cada pedra do caminho, de forma a alcançar totalmente a minha independência motora. Realmente tenho colhido e acariciado suavemente cada pétala que cai sobre o meu rosto e sobre o meu corpo, seu toque carinhoso dá-me alento e esperança para prosseguir o caminho da reabilitação cada vez mais amiúde. Isto dá-me paz interior, esperança e força para aceitar sem resignar os fatos que estão bem presentes em cada dia que nasce o sol, brilha em cada amanhecer, ajudando-me a erguer a minha espada em punho para enfrentar de peito aberto cada novo dia, meus amigos. Agradeço ao universo esta força que me conduz e à minha essência de guerreira da paz e do amor.

Tic tac, tic tac, os ponteiros do relógio não param de girar, o tempo, este grande senhor, é quem nos conduz no palco da vida, onde existe a opção, feita por nós, de ser um mero espetador ou participar ativamente na peça da vida, meus amigos.


Patrícia Arsénio



Rosas encantadas no meu caminho

Na estrada da vida, com os tropeções e ressaltos evitáveis ou talvez não, tento sempre seguir em linha reta e, deste modo, tento encontrar dentro de mim aquilo que me dá coragem para prosseguir o caminho. Encontro o amor ao próximo, gratidão aos que estão comigo neste barco e também aqueles que não estão, afinal de contas não podemos agradar a gregos e a troianos como reza a história.

O caminho é repleto de espinhos de rosa, mas mesmo assim prossigo em frente tentando somente sentir o seu aroma, tentando que este fique bem presente na minha vida, tentando caminhar em frente para procurar e alcançar novos caminhos que me levam à construção da minha estrada interior, tento estar cheia de amor, paz e harmonia em meu redor, no entanto, conseguir a plenitude não depende só de nós.

Tento não fazer juízos de valor e nem sequer julgar alguém, pois acho que cada um de nós tem os seus valores. Estes são diferentes para cada indivíduo e também aceito essas diferenças. Não acho que existem pessoas más, estas somente ainda não acordaram para o verdadeiro sentido da vida, procurando no seu interior o despertador do amor, o seu relógio está a trabalhar, mas no compasso de seu ego superior e apenas a pensar nelas próprias. Mais uma vez, o senhor tempo poderá ou não estar presente para enviar a fatura dos seus comportamentos, havendo sempre quem se recuse a fazer esta aprendizagem, não dando importância e alguns nem dão relevância a este fato, porque o seu despertar interno ainda não despertou realmente, mas cada um é como é, e a nossa escolha passa por querer que estas pessoas participem ou não na nossa vida, esta escolha é minha, aliás é muito nossa.

Noto que com o avançar da minha idade, talvez porque já tive algumas deceções ao longo do meu caminho, não sou amarga e não estou zangada com a vida. Tento tirar partido dos momentos felizes em que estou realmente bem, e estes momentos são bastantes, para isso basta aceitar a minha condição. Acredito piamente que sou guiada por forças superiores que conduzem a minha vida todos os dias, não me deixando desistir da minha caminhada. Sigo por uma estrada coberta por um tapete abençoado de rosas com todas as cores do arco-íris, dando verdadeiro sentido e orientação para a minha essência de guerreira, erguendo a espada para encontrar a paz interior e encontrar os trilhos que conduzem à união e ao equilíbrio.

Não pretendo atingir ninguém com este pensamento, mas porém apeteceu-me escrever este texto, apontando e direcionando o arco e as minhas setas de rosas brancas no alvo certeiro dentro do coração de quem sente mágoa dentro de seu interior. Este é um sentimento mesquinho que quando guardado dentro dos nossos corações nos corrói, aniquila e destrói a nossa paz interior.


Patrícia Arsénio


12 julho 2017

Caminho Certeiro!

Estou a caminhar na estrada, ou talvez esta me conduza, ou então talvez seja conduzida pelo senhor Tempo. Sempre atento com um olhar de falcão focado nas investidas que faço na minha reabilitação física e estou, deste modo, agradecida. Para mim, a meta da independência é para ontem, meus amigos. Acho que é muito natural que pense deste modo, pois de certo modo existe um mundo que não experienciei quando me foquei somente em recuperar. Não o podia ter feito de outra forma, pois a vida ofertou-me com esta paragem e mudança de planos para talvez me obrigar e pensar o que é realmente importante e quais os valores mesmo importantes nesta nossa vidinha.

Não que os meus valores estivessem errados pois acho que sempre fui do bem, a educação que recebi de meus pais foi respeitar sempre o próximo e a mim própria. O amor está sempre presente no meu caminho e na estrada em que caminho, sempre com um sorriso no rosto. Tento dar o melhor que existe em mim e também dou aos que fazem parte deste percurso, estando presentes ou não na minha vida.

Não me estou a queixar e nem pretendo fazer o papel da vítima ou da coitadinha, porque esse papel não faz parte da minha essência de todo, pelo contrário, tento abrir caminho e ir a jogo, em cada dia que a lua nasce, dando o seu lugar ao astro rei, o sol.

Existem dias que quebro, não quero esta vida para mim, não me apetece nada mais um dia de luta, fico impaciente, tendo vontade de mandar tudo à fava, mas depois e logo quase no instante seguinte esse pensamento desvanece dando origem a uma força indomável que cresce dentro de mim, a força de um guerreiro que tem vencido tantas batalhas, que com a sua persistência, no tempo certo, irá vencer assim como São Jorge lutou e venceu o dragão e a guerra.

Por isto tudo agradeço e louvo aos céus a força que Deus me deu, acreditando estar abençoada por esta força divina.

Mais um desabafo de Patrícia Arsénio.


24 janeiro 2017

Bastar querer!

Basta querer e acontece.
Basta querer muito.
Basta colocar amor em nosso redor.
Basta pensar positivo.
Basta achar a nossa essência e não tentar negar o que somos.
Basta aceitar.
Basta conseguir a serenidade nas batalhas que nos deparamos.
Basta crescer.

Basta andar pelo caminho em estrada reta, sem desvios e quando os houver, escolher com determinação aquele que se adapta às nossas necessidades, e se errarmos, pelo menos fomos a jogo e aprendemos sempre algo positivo, o facto de aprendermos a fazer as coisas de outro modo, é uma aprendizagem muito valiosa.

Basta confiar que existe o tempo certo porque os ponteiros do relógio não param de girar, apenas quando nos favorece.

Basta agradecer sempre por mais um dia, seja bom ou mau, é apenas mais um em que crescemos e ganhamos maturidade.

Basta acreditar na esperança porque ela existe mesmo, assim como sabemos que a lua e o sol nascem todos os dias.

Basta acreditar que podemos mudar a linha do pensamento, autodestruir a dor, mudar o discurso típico da vítima e do patinho feio.
Basta acreditar simplesmente que podemos, com um passo de cada vez em frente, construirmos o nosso caminho em cada luta que nasce e em cada instante que vivemos.

Enfim, basta desligar o complicómetro que criamos nos nossos pensamentos, e viver com amor e com sentimentos nobres. Assim, ficamos livres para abraçar o mundo que nos cerca, sem restrições. Pensar e acreditar que a água das fontes, dos rios corre sempre para o mar, por mais difícil que sejam os seus caminhos, o mar, a mãe da água, acolhe-os, sem julgar quais os percursos que os seus filhos traçaram.

Este é apenas mais um pensamento que resolvi colocar em papel, mais um entre tantos, sei que não é fácil de construir e realizar, mas cabe a cada um escolher a forma como vive e convive com a estrada da vida, a cada momento, a cada instante, ao longo do nosso percurso, porque a escolha é sempre nossa.


26 outubro 2016

Agora!

Agora o tempo urge e está no tempo de arregaçar ainda mais as mangas. Em cada compasso dos ponteiros do relógio é urgente ganhar mais coragem para o enfrentar e, além disto, ter mais paciência para vencer cada batalha, uma de cada vez, com amor e rosas brancas como munição.

Não, não é nada fácil o enfrentar todos os dias e deparar-me com esta minha realidade de dependência, não nego esta minha tristeza interna. Tento em cada dia que nasce, sempre que o sol adormece no horizonte e em cada lua que nasce, agradecer e pedir forças para continuar o caminho que me foi ofertado pelo destino. Não fui eu, de todo, que determinei este caminho, mas mesmo assim, continuo grata por esta caminhada que Deus me deu. Contínuo a poder ver as pessoas que amo tanto a crescer e a vencer na vida, construindo os seus castelos, pedra após pedra, a ver as suas vitórias e aplaudindo em pé, a torcer e a gritar por eles. Sei que é genuinamente recíproco, mas mesmo que não o fosse, eu iria aplaudir na mesma, porque eu sou assim, gosto de ver e semear muito amor em meu redor, meus amigos.

Agora, tento saborear as pequenas grandes coisas, de uma forma mais lenta e tentando apagar o fogo dos meus desatinos interiores, ao compasso de uma nascente de água límpida, que surge de uma pequena pedra rochosa, que percorre os lagos, rios às vezes profundos, às vezes muito rápidos e por vezes quase parados. Assim, deste modo, apago os pequenos fogos interiores com a energia das águas, bastando e somente estar perto ou imaginar tamanho cenário deslumbrante da passagem das águas até ao regaço da mãe maior, o mar, e acreditar na forças das mesmas. Também gosto de imaginar um campo aberto de girassóis a acompanhar o sol, desde quando este nasce até quando adormece no horizonte.

Agora, talvez esteja mesmo a ficar “cota”, agora parece que estou a perder as pilhas. Contínuo a querer cada vez mais ser uma pessoa com muita calma e a não querer tudo para ontem, como era, e por vezes, ainda o sou, confesso. Tento ser como um girassol, esta linda flor, que todos os dias acompanha o sol, seguindo a sua energia em cada novo amanhecer. Deste modo, quero que o meu percurso abençoado, assim como o de todos os girassóis, seja vivido um dia de cada vez e no tempo certo, contudo tenho a noção que este exercício é bastante complicado para mim e para a minha essência.

Quero viver um caminho repleto de luz em meu coração, é isto que quero para mim.



Patrícia Arsénio


10 outubro 2016

Estranho, mas bom!


Vou escrever sobre a minha espasticidade. O meu tónus muscular tem realmente diminuído e tem feito os seus ajustes com o exercício que faço diariamente, em casa e no ginásio, porque, meus amigos, eu trabalho mesmo. Trabalho por opção e não para fazer vontades a ninguém, trabalho porque quero e tenho vontade em melhorar e colher frutos maduros e sumarentos todos os dias. Realmente colho bons frutos, às vezes, uns mais maduros do que outros, mas enfim, todos numa cesta de verga não se dá pela diferença, apenas ao provar se sabe se os frutos são bons. O tempo é soberano nesta questão porque este senhor é quem dita as regras desta minha caminhada e a rege ao seu compasso em cada dia que amanhece até que adormece, ano após ano girando como uma nora de um rio, como uma roda de um moinho, estes dois só param quando não houver mais água nem vento. Faço questão que esses elementos estejam bem presentes no meu caminho que trilho, todos os dias, a água para me acalmar e o vento para me impulsionar para a frente sem recuos.

Agora tenho de aprender a andar sozinha porque o meu cérebro desaprendeu e o único modo de aprender é trabalhar todos os santos dias para tentar recuperar a informação do meu computador que fez reset.


Todos os dias gravo alguma informação, todos os dias existem novas células no chefinho que aprendem e por isso não desisto. Embora este trabalho seja um bocado ingrato, não dá resultados de imediato, eu sei muito bem disso. Enquanto eu e os meus pais tivermos forças, eu não quebro. Acho que vou buscar estas forças onde qualquer ser humano em desespero vai buscar conforto, à fé, em que existem forças superiores, os meus amiguinhos que me guiam e protegem sempre.

Contudo, como estava habituada a um registo de espasticidade mais acentuado, ainda me faz um bocado de confusão ter o ponto de equilíbrio mais para a frente, é estranho, parece que estou no limite do equilíbrio, mas não estou. Apenas tenho o peso e a transferência de peso no local correto e isto é um passo muito importante nesta fase, por isso é muito bom, mas muito estranho.

Patrícia Arsénio


17 agosto 2016

Mais vitórias!

Aos meus leitores que seguem o meu blogue pandora-ogum desde o início, estou francamente mais fortalecida, tanto fisicamente como espiritualmente. Agora começo a ver o fim à meada, começo a sentir o meu corpo a responder aos estímulos, cada vez mais rapidamente, e isto dá-me mais alento para continuar a trabalhar cada vez mais.

Eu tenho a perfeita noção que não vai ser de um dia para o outro que vou começar a caminhar livremente sozinha, mas tenho de acreditar que consigo mesmo. Treino e mais treino, o resto é perseverança, tranquilidade e acreditar em mim, confiar sempre, mas sempre, que forças superiores me guiam todos os ditas, como as forças do fogo, da terra, da água e do ar.
O fogo impulsiona, faz-nos sentir vivos, aliás basta pensar na pujança de um vulcão a cuspir fogo, na energia de um dia repleto de Sol. O fogo é o motor de ignição da vida, é este que inicia tudo o que nos rodeia. Contudo, este não é menos válido, do que, o que a terra nos oferece, do que a água que corre nas nascentes e desmaia nas encostas, alimentando os rios e os mares deste nosso lindo planeta azul. E por fim, do que o ar, não menos importante, este está sempre presente. E claro é fundamental que estes elementos deem as mãos com harmonia.

O Tempo, este senhor encarrega-se deste lindo casamento da mãe natureza, quase me atreveria a dizer que é a combinação perfeita, contudo têm as suas divergências, mas estão sempre unidos para a eternidade.
Pois claro, já me estou a escrever demais, afastando-me do verdadeiro motivo deste texto, mais uma vez fugiu-me as mãos para falar acerca da mãe natureza como uma alavanca de equilíbrio. Contudo, ela própria também tem os seus desequilíbrios, tal como nós, assim como a natureza tenta se equilibrar todos os dias. Também acho que cabe a cada um de nós encontrar o seu próprio equilíbrio, da forma e da maneira que acha mais adequado. No entanto, nunca, mas nunca, pisar nas costas do outro para subir outro degrau, porque mais uma vez entra em ação o senhor Tempo para fazer os seus ajustes e este é implacável e soberano.

Agora de volta para a minha longa e dura reabilitação, como escrevi num dos parágrafos anteriores, tudo parece fluir naturalmente, os movimentos estão mais automáticos, a motricidade fina melhorou, em relação a andar de joelhos e rastejar no tapete melhorei muito, andar de gatas tornou-se canja. Enfim, todos estes exercícios ficaram mais harmoniosos, mas tenho consciência que tenho de trabalhar muito, mas muito mais, para poder alcançar o topo da montanha da minha vida, que deu uma enorme reviravolta. Aquilo que depender só de mim, assim será.


Continuo nesta luta para ter as rédeas da minha vidinha de volta, enquanto a minha família estiver sempre comigo, e com certeza estará sem restrições e incondicionalmente. Em seguida, encontram-se algumas fotos que mostram parte do meu trabalho diário, que me permite melhorar fisicamente.
Todo este trabalho envolve o empenho dos meus terapeutas, o meu e dos meus familiares, não pretendo demonstrar nada a ninguém, apenas dar a conhecer um pouco do meu trabalho diário a quem segue atentamente as minhas publicações. 

Muito obrigado aos leitores que de certa forma ajudam-me a superar este meu estado, dando-me ainda mais força para prosseguir os meus trilhos.

Patrícia Arsénio